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História

Os Arcos do Recife
Estudo resgata Arco da Conceição

O arco era uma das portas que cercava o  povoado do Recife no século 17. Ficava na  cabeceira da atual Ponte Maurício de Nassau,  no Bairro do Recife Pesquisa realizada pelo arquiteto José Luiz  Mota Menezes resgata o Arco de Nossa  Senhora da Conceição, uma das portas que  cercava o povoado do Recife no século 17. 

O  arco, construído em substituição à Pontpoort  (Porta da Ponte, que fazia parte do sistema de  defesa do casario no período holandês) ficava  na cabeceira da atual Ponte Maurício de  Nassau, no Bairro do Recife. Especialista em  evolução urbana, ele fez a reconstituição da  porta em desenho, com a proporção entre as  medidas e distâncias do mapa e as distâncias  reais correspondentes. Edificações existentes  em redor também estão identificadas. 

Para reconstituir a porta, José Luiz Menezes,  professor do mestrado e do doutorado em  História da Universidade Federal de  Pernambuco (UFPE), utilizou mapas do Recife  de 1648, 1768, 1878 e 1932. No trabalho, ele  localiza o arco entre o Cais da Alfândega e o  Cais do Apolo. Segundo ele, uma escavação  arqueológica poderá encontrar as bases da  porta sob o asfalto. “Pode-se resgatar o  alicerce e fazer a marcação da porta no chão,  com tijolos diferentes, sem atrapalhar o  trânsito. Seria curioso para a população e  visitantes”, sugere. 

O estudo do professor identifica os  proprietários das casas que ocupavam a atual  quadra do Conjunto Chanteclair, na Avenida  Marquês de Olinda. No sentido da ponte para o  Porto do Recife, os antigos imóveis de  números 63, 61, 59 e 57 pertenciam à  Congregação de São Felipe Néri (Padres  Oratorianos), o de número 55 era de  propriedade do Barrozo, a 53 pertencia à  defunta Izabel, a 51 era de de V. Brandão, a  49 e 47 pertenciam a Aranha Velho. 

A Porta da Conceição e a Porta de Santo  Antônio, que ficava na outra extremidade da  ponte, na Cidade Maurícia, aparecem em  desenhos do artista plástico Frans Post, que  viveu no século 17 e fazia parte da corte de  Maurício de Nassau, o governador do Brasil  holandês. Eram construções holandesas  simples, em madeira. No desenho de H. Lewis,  de 1848, os arcos são vistos em alvenaria de  pedra (construções portuguesas), e em local  diferente das portas primitivas. 

O arquiteto ressalta que as portas não  funcionavam apenas como entrada da cidade.  “Evocando as relações entre o exterior e o  interior, elas eram também o símbolo da  passagem e convertiam-se em monumentos,  marcas fundamentais do assentamento  urbano”, declara. Ele afirma que a idéia de  cidade fechada vem do Oriente para o  Ocidente, simbolizando a proteção da alma  pelo corpo. “É como um arquétipo. 

As portas  definem uma paisagem, um ir mais além, uma  possibilidade de afastar-se do centro.” José Luiz acrescenta que, nelas, ficavam os  brasões. “Maurício de Nassau colocou as  armas da Holanda na porta da ponte que  mandou construir”, destaca. “Elas afirmam o  orgulho da cidade, o impulso para o céu. Nas  cidades dominadas pelo cristianismo, é um  impulso para Deus, que podia expressar-se  em termos de oração e esperança.” 

O símbolo  de passagem é traduzido nos nomes das  portas – do Mar, da Terra e da Ponte para os  holandeses e de Nossa Senhora da Conceição,  de Santo Antônio e do Senhor Bom Jesus para  os portugueses.

Na época da dominação holandesa em Pernambuco (1630-1654), o Recife era cercado por fortificações e portas que controlavam a entrada de visitantes e serviam de passagem para outras freguesias. Os flamengos construíram três portas nos limites do atual Bairro do Recife e mais duas na Ilha de Antônio Vaz (bairros de Santo Antônio e São José), em locais estratégicos e cada uma com um objetivo definido.

No Recife Antigo, a mais importante era a Pontpoort (Porta da Ponte ou Arco de Nossa Senhora da Conceição para os portugueses) e na Ilha de Antônio Vaz, a Zuijpoort (Porta Sul ou Arco de Santo Antônio), que ficavam nas cabeceiras da primeira ponte do Recife, a atual Maurício de Nassau, com função de pedágio. O tributo era cobrado para amortizar os gastos com a construção da ponte.

As duas portas faziam a ligação entre o primeiro núcleo da cidade – Bairro do Recife – e a Mauritiópolis, que se estendia do atual prédio do Palácio do Governo (bairro de Santo Antônio) até o Forte Cinco Pontas (bairro de São José). Foram demolidas no começo do século 20 para permitir o alargamento das ruas para o trânsito de bondes e automóveis. “Puro interesse de uma modernidade desejada, mas ainda não tão necessária”, observa do arquiteto José Luiz Mota Menezes.

Segundo ele, o Arco da Conceição foi derrubado em 1913 e o de Santo Antônio, em 1917. A segunda porta do Bairro do Recife era a Landpoort (Porta da Terra ou Arco do Bom Jesus), que tinha função militar de controle da cidade sitiada e fortificada. Ficava na atual Rua do Bom Jesus e foi demolida em 1850.

A terceira, a Waterpoort (Porta do Mar), estava localizada entre o Marco Zero e a Praça do Arsenal (Artur Oscar). Não foi reconstituída pelos portugueses por ter perdido a utilidade. A outra porta da Ilha de Antônio Vaz ficava na saída da Velha para a Nova Maurícia, na direção do Forte Cinco Pontas, atual entrada do Pátio do Livramento.

José Luiz Menezes informa que as portas holandesas tinham estética funcional e arquitetura simples: um frontão e dois pilares feitos com tijolo e madeira. Após a expulsão dos holandeses pelos lusos-brasileiros, movimento conhecido como Restauração Pernambucana, as portas foram derrubadas e reconstituídas pelos portugueses, em alvenaria, nos estilos barroco e neoclássico, com funções religiosas. Dos Arcos da Conceição e de Santo Antônio partiam procissões nas festividades em homenagem aos respectivos santos. 

fonte: http://www2.uol.com.br/JC/_2001/1009/cd1009_4.htm

 

Eram três os arcos existentes no velho Recife.

O do Bom Jesus, o de Santo Antônio e o da Conceição.

Os moços nunca os viram; os velhos não mais os verão.

O primeiro foi demolido em 1850. Mas sabe-se que ficava no fim da atual rua do Bom Jesus, e constituía a porta norte da cidade. Era de maiores proporções que o da Conceição. Servira mesmo de matriz da freguesia em época recuada. No andar térreo permanecia um destacamento militar e perto existia um forte que quando salvava produzia um quebramento geral de louças nas casas vizinhas. Daí o nome de Quebra-Pratos dado a esse forte. O Arco do Bom Jesus vinha dos tempos da ocupação holandesa.

Por exigências urbanísticas foi botado abaixo no ano de 1850. As imagens que o habitavam foram transferidas em solene procissão para a igreja da Madre de Deus onde ainda se encontram.

Os arcos de Santo Antônio e da Conceição duraram até 1913/17 quando para a remodelação da cidade tiveram de ser destruídos.

Neles se efetuavam festas em honra dos respectivos patronos celestes.

Não se vestiam de excessivo realce, é certo, porém, tinham muito de pitoresco e de típico. As do Arco de Santo Antônio, por mais modestas, nem exigiam o fechamento do comércio, antes da hora costumada.

O Arco de Santo Antônio barrava a rua Primeiro de Março, ao subir da ponte. De um lado a Livraria do Ramiro, do outro, O Barateiro. Perto, a Viúva Guilherme, A Graciosa, a Loja de Chapéus, do Zé de Melo, a Livraria Francesa, expondo nas vitrinas do oitão os novos livros de sortes para São João.

Todo aquele trecho final de rua cerrava-se ao trânsito dos bondes e das carroças. Transformava-se num campo festivo. Armava-se um coreto de tabuazinhas azuis e vermelhas com grandes focos de acetilene nos ângulos. 

Espichavam-se uns cordões com bandeirinhas. Folhagens nos lampiões e no arco. O Santo Antônio, lá em cima, no nicho, entre velas e flores.

Mais detalhes consulte a fonte: www.jangadabrasil.com.br/junho46/fe46060c.htm

 
 
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