Recife,
Brasil, 1973.
Presidente: General Garrastazu Médici.
Prefeito: Augusto Lucena.
O
bairro de São José é devastado, seu patrimônio
edificado para sempre comprometido e sua vida social
e urbana fragmentada. Mais de 400 casas, 11 ruas
(Rua Augusta, Rua Santa Teresa, Rua do Alecrim, Rua
de Hortas, Rua Dias Cardoso, entre outras), o Pátio
do Carmo e a Igreja do Senhor Bom Jesus dos Martírios,
são destruídos para a construção da Avenida
Dantas Barreto, um corredor viário inútil que logo
é apropriado pelo comércio ambulante, pelos
terminais de ônibus e estacionamentos.
A
sociedade se divide, a UFPE, o
escritor Ariano Suassuna e vários arquitetos são
contra a demolição da Igreja dos Martírios,
monumento histórico e artístico nacional. Gilberto
Freyre , que inicialmente se posiciona contra “o
furor da destruição maciça do Bairro de São José”,
em seguida (contrariando, mesmo sem ser expert no
assunto, o parecer dos próprios técnicos do Iphan
que lutavam pela preservação do monumento),
declara que a igreja “não é monumento de alto
valor”.
Muitos
intelectuais do Recife comungam de sua opinião. Mas
numa ditadura militar quem decide mesmo é o General
Médici, que acolhendo parecer do ministro da Educação,
Jarbas Passarinho, assina o Decreto Nº 70 389 de 11
de abril, 1972, e autoriza o cancelamento da inscrição
de tombamento da Igreja dos Martírios no Livro de
Tombo do Iphan. A demolição do monumento
“destombado” tem início em 23 de janeiro de
1973 e em setembro do mesmo ano a Avenida Dantas
Barreto é inaugurada.
O
bairro de São José é mutilado para
sempre e o vazio da avenida se torna uma cicatriz
urbana encravada na morfologia da cidade, símbolo
da incoerência e despotismo dos governantes, que no
autoritarismo dos anos 70, comandaram o destino da
cidade do Recife.
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