JORNAL ON LINE
Janeiro 2006 - Ano 1 - Nº 02

A poesia de Dione Barreto  

Compromisso

Poucas coisas são de valia neste mundo:
a solidão ancestral
alguma delicadíssima tristeza
este gesto contínuo de perder-se
e a tua ausência - esta
- a que me traz uma saudade necessária.

tudo que sou trago comigo
e dou-te.
este poder de consagrar o mundo
torná-lo meu
e pertencê-lo.

esta alegria de saber ser pássaro
um jeito de colorir palavras
e o meu olhar dentro do teu, configurado.

não é muito
mas este é o meu compromisso com a felicidade.



Holocausto

o mundo se acabará amanhã 
nem o mais resistente coração 
enganará a profecia 
se houver tempo 
ainda lerei gide e drummond 
ao som tristíssimo e definitivo 
de paco e moela dois mil anos depois 
os arqueólogos dirão: 
nenhuma civilização honrou esta terra. 
de que nos serve um coração 
se o mundo é de ossos e raciocínio 


O HOMEM SIMPLES

não conheceu proust
dostoievsky
machado de assis
bandeira ou drummond

a terra do seu dono
e os milhares de estrelas no céu
são aflições de sobra
para tentar entender
os mistérios do mundo
pelo resto da vida

sólida paz dos que não carecem
dos desesperos alheios 

Dione Barreto é paraibana de Campina Grande, mas mora em Recife há muito tempo. É Pernambucana de Coração.

 

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