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  Edição dezembro de 2005 - nº 1

Texto: Don Antonio*

Recife é o TERCEIRO polo de produção de teatro no Brasil. Os primeiros: São Paulo e Rio de Janeiro. Mas nem tudo reluz na veneza brasileira. Os produtores se deparem com muitos obstáculos para conseguirem pauta nos teatros oficiais, que ainda estão no século passado. Posso enumerar as principais casas de espetáculos, inclusive espaço alternativos:

  1. Teatro Santa Isabel (Prefeitura do Recife) - O teatro nobre do Recife (700/800 lugares), nem sempre tem espetáculos teatrais. 

  2. Teatro Barreto Junior (Prefeitura do Recife) - Era o cinema Atlântico do Pina (400/500 lugares); foi adaptado para teatro.

  3. Teatro do Parque (Prefeitura do Recife) - Era um teatro particular (900 lugares)), foi desapropriado, e, duranrte anos, o local de apresentações musicais. Não tem tradição de apresentar peças teatrais. Tem exibições populares de cinema.

  4. Teatro Apolo (Prefeitura do Recife) - Era particular, foi abandonado, desapropriado e, adaptado para teatro (400  lugares). Nem sempre tem peças. Ultimamente foi estruturado para exibição de filmes.

  5. Teatro Hermilo Borba Filho  (Prefeitura do Recife) - Um teatro experimental (???) que deveria abrigar um curso de teatro (300 lugares).  Vive ocioso.

  6. Teatro Guararapes (Governo do estado) - Durante alguns anos, desde a sua inauguração, foi considerado um elefante branco. Por causa da sua capacidade (2500 lugares) é mais indicado para shows musicais. Fica no Centro de Convenções de Pernambuco.

  7. Chevrolet Hall (ex-Classic Hall) - A maior casa de espetáculos da América Latina, está mais pra shows do que teatro.

  8. Teatro da Universidade Federal de Pernambuco (federal) - Compete, em capacidade (2000/2200 lugares), com o Teatro Guararapes.

  9. Teatro Valdemar de OLiveira (ex-Nosso Teatro) (particular) - Um dos points do teatro pernambucano (400/500  lugares). Muito aconchegante.

  10. Teatro Artplex (particular ) - Fica no Shopping Guararapes (250/300 lugares)

  11. Teatro Capiba (particular) - Mantido pelo Sesc de Casa Amarela

  12. Teatro José Cavalcanti Borges (particular) - Pertence à Fundação Joaquim Nabuco; era o antigo auditório da Escola Técnica Federal, no Derby (200 lugares).

  13. Teatro do Sesc (particular) - Mantido pelo Sesc de Santo Amaro

  14. Teatro dos Bancários (particular) - Mantido pelo Sindicato dos Bancários - inativo

  15. Teatro da Polícia Militar - Incrível, mas é verdade. Ele é uma cópia maior do Teatro Valdemar de Oliveira, e, fica vizinho ao Quartel da PM (600 lugares).  Vive ocioso.

  16. Teatro Armazem (particular) - Um armazém de carga, no porto, adaptado para teatro (300 lugares).

  17. Teatro Beberibe (Governo do estado) - Na verdade é um dos três auditórios do Centro de Convenções, o maior deles (450 lugares). Mal adaptado para teatro. 

  18. Teatro Ribeira (Governo do estado) - Um auditório do Centro de Convenções de Pernambuco mal adaptado para teatro (150 lugares). Vive ocioso.

  19. Teatro do Brum (Governo do estado) - Um auditório do Centro de Convenções de Pernambuco mal adaptado para teatro (150 lugares). Vive ocioso.

  20. Teatro do Horto de Dois Irmãos (governo do estado) - Fica no Parque Zoo-Botânico de Dois Irmãos.

  21. Teatro Clênio Wanderley (Governo do Estado) - Um teatro de bolso (60/70 lugares) que fica na CAsa da Cultura. Vive ocioso.

  22. Teatro Joaquim Cardoso  (Governo federal) - Um teatro de bolso (70/80 lugares) da Universidade Federal de Pernambuco. Vive ocioso.

  23. Teatro do Forte (Prefeitura do Recife) - Um teatro de bolso (50/60 lugares) que fica no Museu da Cidade do Recife (instalado no Forte de Cinco Pontas).

  24. Teatro Arraial (governo do estado) -  Vive ocioso (60  lugares). Fica na sede da Fundarpe (Fundação de cultura do estado).

  25. Teatro da Fafire (particular) - Instalado na antiga Faculdade de Filosofia do Recife.  Vive ocioso.

  26. Teatro das Damas (particular) - Instalado no Colégio das Damas Cristãs.  Vive ocioso. E não tem abertura para espetáculos profanos...

  27. Teatro Maurício de Nassau (particular) - Teatro de bolso (50/60 lugares), que fica no Recife Antigo.  Vive ocioso.

  28. Existem dezenas de auditórios alternativos (Banco do Brasil, Correios, Caixa Econômica, Celpe etc.)

A falta de ocupação de todos os espaços é uma questão de articulação, falta de gestão cultural do estado. Sem falar nas exigências para as pautas nos teatro municipais e inadequação do horário dos técnicos. A média de público de teatro adulto de um espetáculo razoável, gira em torno de 70 a 90 pessoas, exceto os casos das peças de besteirol, tipo Cinderela (que lota os teatros), As Malditas etc. As peças infantis tem muito mais público.

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* Produtor, autor e diretor de teatro - 30 anos de militância cultural

Como tudo começou? Vou falar do teatro feito da década de 70 para cá; mas tarde a gente engloba os antecessores, como o Teatro do Estudante de Pernambuco, o Teatro Popular do Nordeste, o Teatro de Amadores de Pernambuco. Para mim, tudo começou em 1972, quando entrei meio sem querer no Tucap-Teatro da Universidade Católica de Pernambuco, talvez porque eu era o Secretário da então Faculdade de Direito e tinha acesso a vários meios operacionais. E foi pelas mãos do amigo e diretor de teatro José Francisco Filho, um dos nossos maiores encenadores (mais de 70 peças digiridas!) e do presidente do Tucap, Carlos Borba. que tudo começou. Na época eu já era preocupado com a memória do grupo, principalmente com a história do grupo: veja os prêmios do Tucap, por exemplo, que quase ninguém tem essa relação.

A incompreensão e o boicote da então reitor da Unicap, monsenhor Gondim Lóssio, extinguiu o grupo, embora anos depois, ocorreram tentativas de ressuscitar o grupo, sem o brilhantismo do anterior, ficando restrito ao campos da universidade.

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TEMPORADA TEATRAL - Acredito que o TPN fazia curtas temporadas de espetáculos, mas na década de 70, o padrão era apenas a apresentação no final de semana: ou sexta a domingo, ou apenas de sábado a domingo. Os primeiros espetáculos do Tucap não fugia a essa regra, mas eu e Carlos Borba pressionávamos o grupo a aumentar os dias, o que ocorreu com o último espetáculo do grupo, A BARCA D'AJUDA, do pernambucano Benjamim Santos, um musical folclórico, que durou duas semanas de quinta a domingo no Nosso Teatro (hoje Teatro Valdemar de Oliveira.

Mas nessa nova fase, o grupo que começou a fazer temporadas, montando produções profissionais foi a Praxis Dramática (José Mário Austregésilo e Paulo de Góes) em parceria com a Aquarius Produções (Paulo de Castro e Boris Trindade), com a peça A LIÇÃO, no Nosso Teatro.

DESTAQUE - Marcus Siqueira foi um dos diretores de teatro do Tucap, antes da fase Zé Francisco. Sem dúvida um grande empreendedor e incentivador do teatro. Eu o conhecia de OI! Mas acompanhava o trabalho dele. Ele criava casas de teatro: com o apoio de Dom Hélder: Teatro Novo do Recife (1968), num prédio anexo do Palácio dos Manguinhos, na Av. Rui Barbosa; outro Teatro Novo na antiga livraria e bar (1974) Livro 7, e, finalmente, em Olinda, onde também dava aulas junto com Valdi Coutinho: O Curso Hermilo Borba Filho formou muitos grandes atores pernambucanos.
VIVENCIAL DIVERSIONES - A criação do grupo alegre Vivencial tem tudo a ver com Cinderela - A história que sua mãe não contou. Se alguém acha muito porfônico o texto de Cinderela, posso garantir que o Vivencial era muito mais "realista". Imagine que tinha até strip tease de transformista! (Tente imaginar a cara das pessoas quando caía a última peça e outra "coisa" caia junto...). A turma de Guilherme e Fábio Coelho era a queridinha da classe média. Eram mais de 3 espetáculos, curtos, por noite com a pequena casa lotada!

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Teatro: Caro para uns, barato para outros