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Texto: Don
Antonio*
Recife é o
TERCEIRO polo de produção de teatro no Brasil. Os primeiros:
São Paulo e Rio de Janeiro. Mas nem tudo reluz na veneza
brasileira. Os produtores se deparem com muitos obstáculos para
conseguirem pauta nos teatros oficiais, que ainda estão no
século passado. Posso enumerar as principais casas de
espetáculos, inclusive espaço alternativos:
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Teatro
Santa Isabel (Prefeitura do Recife) - O teatro nobre do
Recife (700/800 lugares), nem sempre tem espetáculos
teatrais.
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Teatro
Barreto Junior (Prefeitura do Recife) - Era o cinema
Atlântico do Pina (400/500 lugares); foi adaptado para
teatro.
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Teatro do
Parque (Prefeitura do Recife) - Era um teatro particular
(900 lugares)), foi desapropriado, e, duranrte anos, o local
de apresentações musicais. Não tem tradição de
apresentar peças teatrais. Tem exibições populares de
cinema.
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Teatro
Apolo (Prefeitura do Recife) - Era particular, foi
abandonado, desapropriado e, adaptado para teatro (400
lugares). Nem sempre tem peças. Ultimamente foi estruturado
para exibição de filmes.
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Teatro
Hermilo Borba Filho (Prefeitura do Recife) - Um
teatro experimental (???) que deveria abrigar um curso de
teatro (300 lugares). Vive ocioso.
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Teatro
Guararapes (Governo do estado) - Durante alguns anos,
desde a sua inauguração, foi considerado um elefante
branco. Por causa da sua capacidade (2500 lugares) é mais
indicado para shows musicais. Fica no Centro de Convenções
de Pernambuco.
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Chevrolet
Hall (ex-Classic Hall) - A maior casa de espetáculos da
América Latina, está mais pra shows do que teatro.
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Teatro da
Universidade Federal de Pernambuco (federal) - Compete,
em capacidade (2000/2200 lugares), com o Teatro Guararapes.
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Teatro
Valdemar de OLiveira (ex-Nosso Teatro) (particular) - Um
dos points do teatro pernambucano (400/500 lugares).
Muito aconchegante.
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Teatro
Artplex (particular ) - Fica no Shopping Guararapes
(250/300 lugares)
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Teatro
Capiba (particular) - Mantido pelo Sesc de Casa Amarela
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Teatro
José Cavalcanti Borges (particular) - Pertence à
Fundação Joaquim Nabuco; era o antigo auditório da Escola
Técnica Federal, no Derby (200 lugares).
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Teatro do
Sesc (particular) - Mantido pelo Sesc de Santo Amaro
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Teatro dos
Bancários (particular) - Mantido pelo Sindicato dos
Bancários - inativo
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Teatro da
Polícia Militar - Incrível, mas é verdade. Ele é uma
cópia maior do Teatro Valdemar de Oliveira, e, fica vizinho
ao Quartel da PM (600 lugares). Vive ocioso.
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Teatro
Armazem (particular) - Um armazém de carga, no porto,
adaptado para teatro (300 lugares).
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Teatro
Beberibe (Governo do estado) - Na verdade é um dos
três auditórios do Centro de Convenções, o maior deles
(450 lugares). Mal adaptado para teatro.
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Teatro
Ribeira (Governo do estado) - Um auditório do Centro de
Convenções de Pernambuco mal adaptado para teatro (150
lugares). Vive ocioso.
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Teatro do
Brum (Governo do estado) - Um auditório do Centro de
Convenções de Pernambuco mal adaptado para teatro (150
lugares). Vive ocioso.
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Teatro do
Horto de Dois Irmãos (governo do estado) - Fica no
Parque Zoo-Botânico de Dois Irmãos.
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Teatro
Clênio Wanderley (Governo do Estado) - Um teatro de
bolso (60/70 lugares) que fica na CAsa da Cultura. Vive
ocioso.
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Teatro
Joaquim Cardoso (Governo federal) - Um teatro de
bolso (70/80 lugares) da Universidade Federal de Pernambuco.
Vive ocioso.
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Teatro do
Forte (Prefeitura do Recife) - Um teatro de bolso (50/60
lugares) que fica no Museu da Cidade do Recife (instalado no
Forte de Cinco Pontas).
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Teatro
Arraial (governo do estado) - Vive ocioso
(60 lugares). Fica na sede da Fundarpe (Fundação de
cultura do estado).
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Teatro da
Fafire (particular) - Instalado na antiga Faculdade de
Filosofia do Recife. Vive ocioso.
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Teatro das
Damas (particular) - Instalado no Colégio das Damas
Cristãs. Vive ocioso. E não tem abertura para
espetáculos profanos...
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Teatro
Maurício de Nassau (particular) - Teatro de bolso
(50/60 lugares), que fica no Recife Antigo. Vive
ocioso.
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Existem
dezenas de auditórios alternativos (Banco do Brasil,
Correios, Caixa
Econômica, Celpe etc.)
A falta de
ocupação de todos os espaços é uma questão de
articulação, falta de gestão cultural do estado. Sem falar
nas exigências para as pautas nos teatro municipais e
inadequação do horário dos técnicos. A média de público de
teatro adulto de um espetáculo razoável, gira em torno de 70 a
90 pessoas, exceto os casos das peças de besteirol, tipo
Cinderela (que lota os teatros), As Malditas etc. As peças
infantis tem muito mais público.
Leia com mais
detalhes  |
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* Produtor, autor e diretor de
teatro - 30 anos de militância cultural |
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Como
tudo começou? Vou falar do
teatro feito da década de 70 para cá; mas tarde a gente
engloba os antecessores, como o Teatro do Estudante de
Pernambuco, o Teatro Popular do Nordeste, o Teatro de Amadores
de Pernambuco. Para mim, tudo começou em 1972, quando entrei
meio sem querer no Tucap-Teatro da Universidade Católica de
Pernambuco, talvez porque eu era o Secretário da então
Faculdade de Direito e tinha acesso a vários meios
operacionais. E foi pelas mãos do amigo e diretor de teatro
José Francisco Filho, um dos nossos maiores encenadores (mais
de 70 peças digiridas!) e do presidente do Tucap, Carlos Borba.
que tudo começou. Na época eu já era preocupado com a
memória do grupo, principalmente com a história do grupo: veja
os prêmios do Tucap, por
exemplo, que quase ninguém tem essa relação.
A
incompreensão e o boicote da então reitor da Unicap, monsenhor
Gondim Lóssio, extinguiu o grupo, embora anos depois, ocorreram
tentativas de ressuscitar o grupo, sem o brilhantismo do
anterior, ficando restrito ao campos da universidade. Leia
mais sobre o Tucap |
| TEMPORADA
TEATRAL - Acredito que o
TPN fazia curtas temporadas de espetáculos, mas na década de
70, o padrão era apenas a apresentação no final de semana: ou
sexta a domingo, ou apenas de sábado a domingo. Os primeiros
espetáculos do Tucap não fugia a essa regra, mas eu e Carlos
Borba pressionávamos o grupo a aumentar os dias, o que ocorreu
com o último espetáculo do grupo, A BARCA D'AJUDA, do
pernambucano Benjamim Santos, um musical folclórico, que durou
duas semanas de quinta a domingo no Nosso Teatro (hoje Teatro
Valdemar de Oliveira.
Mas nessa nova fase, o grupo
que começou a fazer temporadas, montando produções
profissionais foi a Praxis Dramática (José Mário
Austregésilo e Paulo de Góes) em parceria com a Aquarius
Produções (Paulo de Castro e Boris Trindade), com a peça A
LIÇÃO, no Nosso Teatro.
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| DESTAQUE
- Marcus Siqueira foi um dos diretores de teatro do Tucap, antes
da fase Zé Francisco. Sem dúvida um grande empreendedor e
incentivador do teatro. Eu o conhecia de OI! Mas acompanhava o
trabalho dele. Ele criava casas de teatro: com o apoio de Dom
Hélder: Teatro Novo do Recife (1968), num prédio anexo do
Palácio dos Manguinhos, na Av. Rui Barbosa; outro Teatro Novo
na antiga livraria e bar (1974) Livro 7, e, finalmente, em
Olinda, onde também dava aulas junto com Valdi Coutinho: O
Curso Hermilo Borba Filho formou muitos grandes atores
pernambucanos. |
| VIVENCIAL
DIVERSIONES - A criação
do grupo alegre Vivencial tem tudo a ver com Cinderela - A
história que sua mãe não contou. Se alguém acha muito
porfônico o texto de Cinderela, posso garantir que o Vivencial
era muito mais "realista". Imagine que tinha até strip
tease de transformista! (Tente imaginar a cara das pessoas
quando caía a última peça e outra "coisa" caia
junto...). A turma de Guilherme e Fábio Coelho era a queridinha
da classe média. Eram mais de 3 espetáculos, curtos, por noite
com a pequena casa lotada!
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mais
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| OUTROS
GRUPOS
Leia mais detalhes sobre os
principais grupos de teatro amadores e profissionais, desde a
década de 70 até o início do século 21. Clique aqui:
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| Teatro:
Caro para uns, barato para outros
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