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TURISMO ECOLÓGICO: Engenhos e
Fazendas |
Zona da Mata Norte para ver e viver
Engenho Poço Comprido, em Vicência, tombado pelo IPHAN, foi
revitalizado para receber turistas
Rodrigo Porto
Marcada
pela tradição dos engenhos de açúcar e das manifestações da
cultura popular, a Zona da Mata Norte de Pernambuco encontra meios
para aquecer a economia da região através do incentivo ao turismo,
como alternativa para o desenvolvimento sustentável. Os canaviais
ainda dominam a paisagem do lugar, enchendo de verde as planícies
e montanhas onde casas grandes e senzalas resistem ao tempo. Até a
metade da última década, o açúcar representava 60% das exportações
pernambucanas, mas, em 2000, esse número caiu para 26%. A retomada
do álcool como alternativa de combustível é um fator que favorece
as usinas e os pequenos produtores de cana, mas a tentativa de
atrair visitantes - através de roteiros ecológicos,
histórico-culturais e religiosos - é o objetivo do Governo do
Estado, com o lançamento da Rota Engenhos e Maracatus, que
contempla 19 municípios e 90 atrativos turísticos da região.
A elaboração dos roteiros turísticos exigiu um investimento de R$
10 milhões para a realização de adaptações e melhorias, nas zonas
rurais e urbanas, além da divulgação da nova rota, lançada,
oficialmente, ontem à noite, na fábrica da Cachaça Carvalheira, no
Recife. Através da parceria entre o Programa de Apoio ao
Desenvolvimento Sustentável da Zona da Mata de Pernambuco (Promata),
a secretaria estadual de Turismo e a Empetur, a idéia foi posta em
prática com a capacitação de guias de ecoturismo, abertura de
trilhas nas matas, implantação de estradas, sinalização rodoviária
e turística, apoio à produção de artesanato, restauração de
antigos engenhos e construção de novos atrativos, como o Parque
dos Lanceiros, um espaço com pequeno museu do Maracatu, palco para
apresentações culturais e ampla arquibancada, decorado com
esculturas de caboclos-de-lança, assinadas pelo artista plástico
Cavani Rosas.
Ao percorrer as estradas que ligam Nazaré da Mata, situada a 65
quilômetros do Recife, aos municípios vizinhos de Tracunhaém,
Carpina, Vicência e Aliança, o viajante se surpreende com os
extensos canaviais, as usinas, os engenhos (com seus quatro
elementos básicos: casa grande, senzala, moita e capela), sedes de
maracatus (como o Ponto de Cultura de Aliança, onde o mestre Zé
Duda comanda o Maracatu Estrela de Ouro) e ainda um museu e
algumas fábricas de cachaça, uma das especialidades da região. Em
Vicência, a cachaçaria Água Doce está aberta à visitação. Lá, já
se produziu também açúcar, rapadura e mel de engenho. Após
conhecer as diversas fases da produção, há degustação de cachaças
e licores, além do imperdível caldo de cana gelado.
Mas o forte mesmo dos roteiros históricos são os antigos engenhos.
Muitos deles estavam abandonados, com as estruturas ameaçadas e
habitados apenas por morcegos. Arquitetos foram contratados para
revitalizá-los e agora já dispõem de visitas guiadas. O engenho
Poço Comprido, em Vicência, uma construção do século 18 – que já
serviu de refúgio para Frei Caneca, líder da Confederação do
Equador (1825) –, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (IPHAN), ganhou reforma. Paredes pintadas de
branco, detalhes em azul nas portas e janelas, tudo como no
original. Esse é um dos raros engenhos que têm uma característica
curiosa: da casa grande para a capela, existe uma passagem para
que a família dos senhores de engenho não se misturassem aos
escravos. Já a senzala não está mais lá, mas, segundo os
pesquisadores, os baobás (árvores africanas) denunciam o possível
lugar que ela ocupava. |
Eco-Resort Fazenda Engenho Cordeiro
– no Km 10 da PE-90, logo após Carpina – (81) 3621.8188
Engenho Jundiá – acesso pela BR-408, em Vicência – (81) 9984.3096
Engenho Água Doce – no Km 10 da PE-74, em Vicência – (81)
3641.1257
Pousada Engenho Cueirinha – a 6 Km da cidade de Buenos Aires –
(81) 9948.1586/ 9617.4969
Engenho Poço Comprido – acesso pela BR-408 e PE-74, em Vicência –
(81) 9916.9612
Usina Laranjeiras – acesso pela BR-408, em Vicência – (81)
3641.1635
Engenho Uruaé – acesso pela BR-101, em Goiana – (81) 3227.0579
Museu da Cachaça – município de Lagoa do Carro – (81) 3621.8208
Engenho Massaranduba (Aparauá) – acesso pela PE-49, em Goiana –
(81) 3641.1635
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Hospedagem é feita nos próprios engenhos
seculares A exemplo do
que acontece em diversos países da Europa, onde hotéis e pousadas
são instalados em antigos conventos, castelos e palácios, os
visitantes que chegam à Mata Norte já podem se hospedar em
autênticos engenhos, para sentirem a atmosfera da época áurea da
indústria açucareira em Pernambuco. No engenho Cueirinha, em
Nazaré da Mata, os quartos estão distribuídos entre a casa grande
e os chalés, que dão para um enorme açude, cujas margens têm ainda
um píer e uma graciosa capela.
No município de Vicência, o engenho Jundiá está localizado ao pé
de uma colina que recebe os tons em verde e amarelo, com os Paus
D’arco floridos. No topo da montanha, fica a capela de Nossa
Senhora da Conceição, de onde se tem uma das mais belas vistas
sobre os canaviais. Na casa grande, o mobiliário de época (1882)
está em perfeitas condições de conservação e é mantido na mesma
posição em que estava quando as sinhazinhas ainda circulavam por
ali. Uma outra atividade bastante comum nos engenhos é a pescaria.
No engenho Pedregulho, em Nazaré da Mata, o Pesque e Pague
funciona aos domingos. Depois da brincadeira, os peixes podem ser
preparados e servidos no restaurante. Durante a semana, é
necessário agendar a visita. |
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Fonte:Folha de Pernambuco -
28/11/2006 |
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